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 Professor Carlos Fiolhais, físico

 

Na sua infância quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

 

A verdade é que não me lembro bem, já foi há tantos anos... Talvez uma colecção de cromos de História Natural.  Ou, sei lá, olhar para o céu, à procura da Estrela Polar. Haveria de me virar para a Física, que descobri mais tarde, na adolescência, através de livros e de experiências escolares ou caseiras.

 

A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

 

Não sei, talvez.  Os meus pais não tinham garnde instrução. Mas o meu Pai sempre achou que as ciências eram mais úteis do que as letras. De qualquer modo, escolhi o que quis. Quando lhes disse que ia estudar Física na Universidade,  terão achado um pouco estranho...

 

Que tipo de interferência exerce/exerceu na educação científica dos seus filhos?

 

O meu filho está a acabar a licenciatuar em Engenharia Electrotécnica no Técnico. Sempre gostou de computadores. Acho que alimentei um pouco isso pois nunca deixei de lhe comprar os jogos  de que gostava. E revistas sobre temas de informática.

 

Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

 

O ensino formal das ciências está melhor, mas ainda longe do que devíamos aspirar. O que falta fazer, na minha opinião, é meter mais ciência – e ciência com actividades práticas – no jardim escola e no 1.º ciclo do básico. Quanto ao ensino informal, ou divulgação da ciência, deram-se passos enormes com o “Ciência Viva” , mas demora muito tempo a ultrapassar limitações que vêm de trás e atingem muita gente.

 

 Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

 

Nalgumas  áreas das ciências básicas – matemática, física, química e biologia – somos bastante competitivos. Mas  temos de procurar fazer mais e melhor.

 

Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

 

Com as “mãos na massa”:  mexendo, observando  e raciocinando. Pode parecer uma brincadeira, mas a ciência a sério pode começar a brincar.

 

Obrigada por nos ter deixado a sua experiência Professor! Cá por casa ADORAMOS o seu trabalho, principalmente o que tem desenvolvido no âmbito da divulgação da ciência entre os mais novos

 

 

Mais sobre o cientista:

 Carlos Fiolhais nasceu em Lisboa em 1956.

 

 Licenciou-se em Física na Universidade de Coimbra em 1978 e doutorou-se em Física Teórica em Frankfurt/Main, Alemanha, em 1982.

 

É Professor Catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra desde 2000.

 

 Foi professor nos Estados Unidos e no Brasil.

 

É autor de 140 artigos científicos em revistas internacionais (um dos quais com mais de 10000 citações, o artigo mais citado com um autor numa instituição nacional) e de mais de 450 artigos pedagógicos e de divulgação. Publicou 42 livros, entre os quais os best sellers "Física Divertida""Nova Física Divertida""Breve História da Ciência em Portugal", e os mais recentes "Darwin aos Tiros e outras Histórias de Ciência" e "Pipocas com Telemóvel e outras Histórias de Falsa Ciência" (os dois últimos com David Marçal), na Gradiva“Ciência em Portugal”, ensaio na Fundação Francisco Manuel dos Santos; série de livros de ciência infantil "Ciência a Brincar", na Bizâncio (em co-autoria); numerosos manuais escolares na Texto Editores (em co-autoria); manual universitário "Fundamentos de Termodinâmica do Equilíbrio", na Gulbenkian (em co-autoria); etc. Os dois primeiros tiveram edições internacionais na Espanha, Itália e Brasil, assim como alguns livros da série "Ciência a Brincar". Foi ainda autor de 18 capítulos de livros e de 24 prefácios, editor de 5 livros científicos em edição internacional e tradutor de 8.

 

Os seus interesses científicos centram-se na Física Computacional da Matéria Condensada e na História das Ciências. Foi fundador e director do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, onde procedeu à instalação do maior computador português para cálculo científico.

 

Tem coordenado vários projectos de investigação e supervisionado vários estudantes de mestrado e doutoramento. Participou em numerosas conferências e colóquios promovendo a ciência e a cultura científica. Criou e dirige o"Rómulo - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra".

 

Dirigiu a revista "Gazeta de Física" da Sociedade Portuguesa de Física e é membro de comissões das revistas de Física internacionais (presidiu em 2011 ao Conselho Científico do"European Physics Journal"). Foi Director do Centro de Informática da Universidade de Coimbra - CIUC, Presidente do Conselho de Investigação do Instituto Interdisciplinar da Universidade de Coimbra - III, membro do Conselho Científico da Fundação para a Ciência e Tecnologia - FCT e é membro dos corpos gerentes do Forum Internacional dos Investigadores Portugueses - FIIP. É colaborador regular dos jornais "Público""Sol"“As Artes entre as Letras” e "Jornal de Letras". Foi consultor dos programas "Megaciência""ABCiência" para a SIC e RTP e do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra. Foi Director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (que tem a marca de "Património Europeu"), onde concretizou vários projectos relativos ao livro e à cultura, e do Serviço Integrado de Bibliotecas da Universidade de Coimbra - SIBUC, onde criou os repositórios digitais "Estudo Geral" e "Almamater".

 

É co-fundador da empresa "Coimbra Genomics".

 

É corresponsável pelo blogue "De Rerum Natura".

 

Ganhou vários prémios e distinções: em 1994 o Prémio União Latina de tradução científica, em 2005 o Globo de Ouro de Mérito e Excelência em Ciência atribuído pela SIC; em 2005 a Ordem do Infante D. Henrique; e em 2006 os Prémios Inovação do Forum III Milénio e Rómulo de Carvalho da Universidade de Évora; e em 2012 o prémio BBVA para o melhor artigo pedagógico na área da Física no espaço ibero-americano.

 

É o responsável pelos programas de "Educação" e de" Ciência e Inovação" da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

 

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