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A pequenota cá de casa decidiu pregar-nos uma partida e chamou-nos ao seu quarto para dizer que estava uma aranha monstruosa na caixa dos laços...

aranha.jpgÉ claro que só o pequenote é que acreditou (e fê-lo apenas por alguns segundos). Quando percebeu que afinal o monstro era de plástico brincou alegremente com ele...

IMG_20150419_200133.jpg

De qualquer forma os pequenotes perguntaram-me (já pela segunda vez) se as aranhas são más, se picam, por que motivo entram nas nossas casas...

Como não sei muito sobre aranhas decidi fazer algumas perguntas a um colega biólogo, o Ricardo Silva, que se dedica à Aracnologia e é colaborador de uma plataforma que compila dados sobre a biodiversidade de Portugal,a  Naturdata.

img_757x426$2008_11_14_20_26_00_303246.jpgRicardo Silva, biólogo 

 

Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, as aranhas não são insectos. Distinguem-se facilmente destes por possuírem oito patas e pela ausência de antenas (os insectos adultos têm seis patas e um par de antenas). As aranhas fazem parte de um grande grupo do filo dos artrópodes designado por “aracnídeos”, no qual se incluem também os escorpiões, as carraças e os ácaros.

 

 Quais são as aranhas que aparecem com maior frequência nas nossas casas?

 

Muitas aranhas entram nas nossas casas em busca de abrigo, principalmente as que deambulam em busca de presas, mas algumas vivem mesmo dentro das nossas casas e estão quase sempre presentes mesmo sem darmos por elas.

Alguns bons exemplos são os Pholcus phalangioides (que podem viver perfeitamente dentro de casa, são talvez, as mais bem adaptadas), as Steatoda nobilis que têm preferência por janelas, telhados, ou tudo o que fique entre o dentro e fora de casa, e os Oecobius navus, aranhas minúsculas que normalmente passam despercebidas nos cantos de paredes, móveis, etc.

 

ara.jpg AranhiçoPholcus phalangioides

 

steatoda-nobilis-04_65345_1.jpg

Viúva-de-patas-vermelhas Steatoda nobilis

 

400px-Oecobius_navus.jpg Oecobius navus

 

Das aranhas que aparecem em nossas casas, alguma(s) representa(m) perigo para a nossa saúde?

Quase todas as aranhas têm veneno, muitas podem picar, algumas provocarão efeitos em nós, poucas nos causam efeitos sérios e quase nenhuma ameaça a nossa saúde. O aranhiço (Pholcus phalangioides) e Oecobius navus são completamente inofensivos. A viuva de patas vermelhas (Steatoda nobilis) tem um veneno que nos provoca dor intensa, é portanto uma picada não perigosa mas extremamente desagradável.

 

Qual é a importância das aranhas nas nossas vidas?

As aranhas, como um todo, são uma parte muito importante de qualquer ecossistema, são muito diversas e extremamente numerosas, sendo essencialmente predadoras de artrópodes.Têm um papel importante como reguladoras da cadeia alimentar.

Além deste papel principal, as aranhas são usadas em investigação bioquímica e medicina pelos seus venenos e na indústria pelas propriedades da sua seda que é extremamente resistente e elástica.

 

 

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ROGÉRIO MARTINS

18.04.15

ROGERIO MARTINS.jpg                                         Rogério Martins, matemático                                                       

 

Na sua infância, quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Não me recordo muito bem, só decidi seguir uma carreira de cientista depois de entrar na faculdade. Muito provavelmente os primeiros contactos foram mesmo os contactos normais na escola, ainda assim, recordo-me de durante a adolescência ler bastantes livros de divulgação cientifica. Recordo-me de ler o Carl Sagan ou Hubert Reeves. Na altura uma das disciplinas que mais me seduzia era a filosofia, embora nunca tenha considerado a possibilidade de fazer um curso nesta área.

 

A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Directamente não. De qualquer forma a nossa família acaba por ser inevitavelmente a fonte de uma grande parte das nossas influências, os meus pais sempre estimularam muito e incentivavam a minha procura de conhecimento e o meu  espírito crítico, o que se pensarmos bem é a postura típica de um cientista. O meu irmão mais velho sempre se interessou muito por ciência, embora não seja cientista, e costumava contar-me muito do que ia aprendendo, provavelmente deve ter tido alguma influência nas minhas escolhas e gostos.

 

Que tipo de interferência exerce/exerceu na educação científica dos seus filhos?

Normalmente tento interferir o menos possível na educação formal escolar das minhas filhas, para mim é uma questão de princípio, acho que isto estimula a sua autonomia e autoconfiança. Claro que quando elas vêm ter comigo com alguma dúvida eu esclareço, sempre que consigo, embora seja relativamente raro. Tento também não exercer pressão sobre as suas escolhas académicas (elas não têm a mesma opinião), embora naturalmente lhes dê os meus conselhos. Fora do ensino formal temos grandes discussões sobre temas científicos, às vezes vamos a museus ou exposições sobre ciência, assim acabo seguramente por ser uma influência. Costumamos ver séries ou filmes de televisão juntos à noite, vimos juntos todas as séries do Big Bang Theory. Por outro lado elas costumam assistir às primeiras versões dos episódios do Isto é Matemática e das minhas palestras, elas são as minhas primeiras críticas. De facto há ciência em casa, como não poderia deixar de ser.

 

Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

Creio que está no bom caminho, houve uma evolução tremenda desde o meu tempo de estudante. Creio que hoje as pessoas têm um interesse mais genuíno pelo conhecimento científico, no ambiente escolar formal estão mais interessadas no conhecimento por si e não para obter uma nota e há uma maior procura de conhecimento em ambiente não formais. Provavelmente também consequência de um sentimento de que o mundo actual é mais competitivo e que o saber cientifico acaba por ser uma vantagem competitiva.

 

Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Essa é uma pergunta difícil de responder. A ciência, ao contrário de outras áreas, é quase por definição uma actividade global. Muitas vezes ouço pessoas, por exemplo actores, falarem sobre a possibilidade de tentarem ou não uma carreira internacional, na ciência esta é uma questão que não faz sentido, ou se faz ciência a nível internacional ou muito provavelmente não se está a fazer ciência. Como consequência a contribuição de cada pais em cada área cientifica é muito difícil de medir. Tipicamente um artigo cientifico é assinado por pessoas de vários países, mesmo que não seja, é apoiado em cima do trabalho de outro grupos de investigação internacionais.

 

Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

Estimulando o seu espírito crítico e incentivando de forma constante uma postura céptica. Isto não só contribui para que a criança possa vir a ser um bom cientista como a torna mais forte na sua vida pessoal e profissional Por outro lado devemos estimular a curiosidade, ou melhor, não devemos destruí-la, de facto as crianças são naturalmente cientistas. Não nos devemos esquecer de transmitir também que a ciência é sobre ideias e não sobre formalidades, claro que uma boa formalização é necessária para a boa ciência, ainda assim a formalização é um meio e não deve ser vista como um fim.   

 

 Mais sobre o cientista:

Rogério Martins apresenta na SIC Notícias o programa “Isto é Matemática” onde, através de uma linguagem acessível e direta, ilustra exemplos práticos que ligam a Matemática ao quotidiano. Pode seguir o programa aqui. O Professor é igualmente diretor da revista "Gazeta da Matemática", publicada pela Sociedade Portuguesa de Matemática.

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Existem lugares mágicos cuja atmosfera não consegue ser explicada pela Ciência... Um desses lugares é o Pego das Pias. Fica situado perto de Odemira, na Ribeira do Torgal (um dos afluentes do Rio Mira).

18061806_zSRsP.jpeg

 Gostamos de ir até lá fazer piqueniques, mergulhar nas águas da ribeira e descobrir " mistérios da Natureza"...

1º foto.jpg Desta vez fomos procurar um dos peixes mais raros do Mundo!... Chama-se escalo do Mira (Squalius torgalensis) e só existe nas águas da Ribeira do Torgal. Esta espécie é um endemismo lusitano, ou seja só existe em Portugal e, no nosso país, só se encontra na Ribeira do Torgal...É raro como uma jóia!

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escalo.jpg Escalo do Mira (Squalius torgalensis)

 

Não conseguimos encontrar nenhum escalo do Mira mas observámos os frutos das árvores que embelezam esta ribeira: os amieiros e os freixos. Os pequenotes adoraram as suas formas tão peculiares.

amieirofruto.jpgAmieiro (Alnus glutinosa)

 

Fraxinus-excelsior.jpg Freixo (Fraxinus excelsior)

 

Existe, nesta zona, um projeto tutelado pela Quercus, o projeto ECOTONE que pode consultar aqui. O objectivo deste projeto é conceber, implementar e avaliar metodologias de gestão activa do habitat prioritário Florestas aluviais de amieiros e freixos para incrementar populações de libélulas (Oxygastra curtisii, Gomphus grasliniiMacromia splendens) e melhorar o estado de conservação das populações de bivalves ameaçadas (Margaritifera margaritifera e Unio tumidiformis).

Durante a nossa investigação conseguimos encontrar algumas libélulas Oxygastra curtisii

libellula20090715.jpg_200972023511_libellula200907 Oxygastra curtisii

 

Conseguimos também avistar alguns juvenis de mexilhão do rio Margaritifera margaritifera.

mexilhao de rio juvenis.jpg

  Mexilhão do rio (Margaritifera margaritifera)

 

Toda a família  ADOROU esta investigação! Recomendamos vivamente o local. In love pelo Pego das Pias!

pesquisa rib torgal.jpg

 

ulti pego.jpg

 

 

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