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CLARA PINTO CORREIA.jpgClara Pinto Correia, bióloga

 

Na sua infância, quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Foi viver em Africa, sem sombra de dúvida. Todo aquele mundo fabuloso à minha volta. A maneira como as osgas enormes se colavam às paredes e engoliam as moscas. As nossas visitas às grandes reservas, como a Quissama e a Cela – leões, elefantes, gnus, pacacas, impalas… Comecei a sonhar ser Park Ranger aos seis anos. Depois, no National Geographic que os meus pais assinavam, comecei a ver as fotografias da Jane Goodall com os chimpanzés. Era mesmo a vida que eu queria ter. Quando fui para Biologia ainda sonhava com isto.

 

 2- A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Bem, se não fosse o National Geographic deles eu nunca teria descoberto a Jane Goodall aos seis anos. Foi a minha Mãe que me explicou que as pessoas que faziam aquelas coisas eram os biólogos. E sempre apoiou a minha decisão de ir para Biologia. O meu Pai foi mais ter a certeza de que eu não deixava o curso a meio, incentivar-me a fazer o doutoramento mesmo que isso implicasse ter que sair de Portugal… e mais tarde, ja a título póstumo, dar-me forca e coragem para enfrentar as provas de agregação.

 

3- Que tipo de interferência exerce/exerceu na educação científica dos seus filhos?

Bem, há poucos parques naturais onde não os tenha levado, poucos anos em que não os tenha mandado para os grupos de trabalho no Jardim Zoológico, poucos animais descobertos nos nossos passeios em que eu não tenha agarrado com as mãos para eles perderem o medo e verem a criatura de perto… para não falar de toda a bicharada que tivemos em casa, incluindo cobras e iguanas (claro que só eu é que não tinha medo de limpar os terrários, mas enfim). Por acaso chegaram a ser bons naturalistas. Uma vez apanharam uma daquelas cobrinhas com pernas, que são muito dificeis de encontrar.

 

 4- Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

É mau. E a culpa não é dos professores.

 

 5- Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Infelizmente, mais na área das biotecnologias ou outras biologias aplicadas, e menos na ciência básica, que é o sector que realmente nos traz o crescimento de conhecimentos que empurra o mundo para a frente.

 

6- Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

 É preciso enche-las de curiosidade, expo-las a vários tipos de ambientes, contar-lhes histórias verdadeiras com muito entusiasmo, e surpreende-las com perguntas daquelas que fazem mesmo pensar. Uma vez estava a fazer os trabalhos de casa com o meu filho de nove anos e veio a propósito a questão da bolinha que explodiu e saiu o mundo lá de dentro. Olha lá, filho, vê se consegues responder: Deus estava do lado de fora e fez explodir a bolinha, ou estava do lado de dentro e saiu juntamente com o resto do mundo? Ai, Mãe! Não me faças perguntas dessas que me metes medo!

 

Para saber mais sobre a cientista:

Escritora e investigadora científica portuguesa, natural de Lisboa. Licenciou-se em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e obteve o doutoramento em Biologia Celular no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, tendo posteriormente feito um pós-doutoramento em clonagem de mamíferos na Universidade de Massachusetts. Foi assistente estagiária de Biologia Celular e de Histologia e Embriologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

 

Trabalhou como jornalista e também como investigadora em Biologia Celular na Fundação Gulbenkian. Prosseguiu a carreira académica nos Estados Unidos (em Buffalo e Amherst), onde executou o projecto do seu doutoramento em Biologia Celular (1992) pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, e onde colaborou com o paleontólogo Stephen Jay Gould, da Universidade de Harvard, especializando-se em História das Ciências entre 1994 e 1996, e celebrando um contrato para a redacção de um livro sobre História das Teorias da Reprodução.

 

Foi docente de História da Ciência e directora do curso de pós-graduação em Biologia do Desenvolvimento na Universidade Lusófona e coordenadora de pós-graduações e mestrados da mesma universidade. É ainda professora convidada do Instituto Superior de Agronomia e, desde 1996, professora auxiliar no Department of Veterinary and Animal Sciences da Universidade de Massachusetts (EUA).

 

Colaborou com crónicas em publicações periódicas e em programas de divulgação científica na rádio e na televisão e teve colaboração científica dispersa por várias publicações científicas nacionais e estrangeiras, dedicando-se igualmente à realização de conferências em congressos e universidades.

 

Entre as suas obras de divulgação científica, contam-se Os Bebés-Proveta (1986), Histórias Naturais (1988), Portugal Animal (1991), Clonai e Multiplicai-vos (1997), The Ovary of Eve/O Ovário de Eva (1997), Clones Humanos - A Nossa Autobiografia Colectiva (1999), O Mistério dos Mistérios(1999), Dodologia - Um Voo Planado Sobre a Modernidade(2001), Deus ao Microscópio (2002), Portugal Animal (2002) e Os Monstros de Deus - A Humanidade e as Suas Lendas: Do Espermatozóide ao Verme (2003). Tem também uma vasta obra de ficção e ensaio, iniciada com Agrião (1984), e que prosseguiu com Um Esquema (1985), E se Tivesse a Bondade de Me Dizer Porquê? (1986), Adeus, Princesa(1987), Um Sinal dos Tempos (1988), Ponto Pé de Flor(1990), Domingo de Ramos (1994), A Música das Esferas(1995), Mais Marés que Marinheiros (1996), A Pega Azul(1996), Mais Que Perfeito (1997), Os Mensageiros Secundários (1999), Morfina (2000), Os Mensageiros Secundários (2000), As Festas Secretas Pela Mão de Maia(2001), A Arma dos Juízes (2002), Assim na Terra Como no Céu (2003), Trinta Anos de Democracia e Depois, Pronto(2004) e No Meio do Nosso Caminho (2005).

 

Clara Pinto Correia é também autora de obras de literatura infanto-juvenil, entre as quais O Sapo Francisquinho (1986),Vitória, Vitória (1991), Quem Tem Medo Compra um Cão(1991), A Canção dos Dinossauros (1992), A Minha Alma Está Parva (1992), A Mulher Gorda (1992) e A Ilha dos Pássaros Doidos (1994). Entre as suas obras de poesia, contam-se Canções das Crianças Mortas (1989) e No Pó da Bagagem (1993). É também autora dos livros de crónicasCampos de Morangos Para Sempre (1987), The Big Easy(1995) e O Melhor dos Meus Erros (2003).

 

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