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FERNANDO NOBRE

21.05.16

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Fernando Nobre, médico, Presidente da AMI

 Na sua infância, quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Os meus primeiros contactos com a Ciência aconteceram quando entrei com dez anos no primeiro ano do Liceu Salvador Correia de Sá e Benevides em Luanda com as aulas de Biologia.


A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Não houve nenhuma influência familiar já que historicamente a minha família sempre foi mais virada para a Economia e as Letras.


Que tipo de interferência exerceu na educação científica dos seus filhos?

Penso que pouco ou nenhuma. Dos meus 4 filhos (um rapaz e três meninas) só o mais velho seguiu ciências sendo médico como eu. As três filhas são formadas em: Antropologia, Ciências Políticas/Relações Internacionais e História das Artes.


Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

Não tendo estudado, nem vivido, no nosso País (ultramar ou continente) dos 12 aos 34 anos só me posso pronunciar quanto aos estudos dos meus filhos (36, 34, 23 e 20 anos): entendo que o grau de exigência, rigor e estímulo são baixos porque se o nível teórico é satisfatório (embora não entenda que não se ensine os cálculo diferencial e integral até ao 12°ano, o que eu estudei na Bélgica!) o ensino prático e laboratorial é manifestamente insuficiente!


Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Acho que Portugal tem todos os requisitos para atingir o máximo nível em todas as áreas científicas com particular ênfase para todas ciências ligadas ao mar. Para tal será indispensável visão, estratégia, exigência, rigor, estímulos e grandes incentivos e investimentos que estimulem a investigação científica dos nossos alunos, licenciados e doutorados. Enfim que a Ciência, em todos os seus ramos, seja vista e declarada como uma verdadeira Causa Nacional.Enfim que a Ciência, em todos os seus ramos, seja vista e declarada como uma verdadeira Causa Nacional para que possamos competir com os melhores no século XXI. A produção científica nacional em geral, exceptuando pois alguns nichos de grande nível internacional, ainda é escassa e não acede as grandes revistas científicas mundiais.
A classificação das nossas universidades tem de estar a breve trecho no top 100. Não é o caso. O mar e o fundo marinho abrem-nos perspectivas científicas e económicas excepcionais já tendo em conta a Zona Económica Exclusiva que possuímos e ainda mais com a próxima Extensão da nossa Plataforma Continental. O todo fará cerca de 4 milhões de km2!


Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

Bons e empenhados professores e bons laboratórios nas escolas, palestras nas escolas com bons cientistas investigadores, visitas assíduas a bons laboratórios e contactos com cientistas, disponibilidade de boas revistas científicas nas bibliotecas escolares, visitas ao nosso mar explicando as suas enormes potencialidades.... Enfim: despertando interesses e paixões pela Ciência!

 

Sobre o cientista:

Fernando de la Vieter Nobre Médico é  especialista em Cirurgia Geral e em Urologia.

Foi contemplado com o Primeiro Prémio da Associação Europeia de Urologia/Copenhaga 1984.

É Doutor Honoris Causa/ FMUL Novembro 2001.

Foi Assistente dos Hospitais Universitários e da Faculdade de Medicina (Anatomia e Embriologia Humanas) da Universidade Livre de Bruxelas.

É  Professor Regente convidado de "Medicina Humanitária" da FMUL.

Antigo Administrador dos Médicos Sem Fronteiras-MSF/Bélgica.

É Fundador e Presidente da Fundação de Assistência Médica Internacional/AMI.

 

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