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ROGÉRIO MARTINS

18.04.15

ROGERIO MARTINS.jpg                                         Rogério Martins, matemático                                                       

 

Na sua infância, quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Não me recordo muito bem, só decidi seguir uma carreira de cientista depois de entrar na faculdade. Muito provavelmente os primeiros contactos foram mesmo os contactos normais na escola, ainda assim, recordo-me de durante a adolescência ler bastantes livros de divulgação cientifica. Recordo-me de ler o Carl Sagan ou Hubert Reeves. Na altura uma das disciplinas que mais me seduzia era a filosofia, embora nunca tenha considerado a possibilidade de fazer um curso nesta área.

 

A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Directamente não. De qualquer forma a nossa família acaba por ser inevitavelmente a fonte de uma grande parte das nossas influências, os meus pais sempre estimularam muito e incentivavam a minha procura de conhecimento e o meu  espírito crítico, o que se pensarmos bem é a postura típica de um cientista. O meu irmão mais velho sempre se interessou muito por ciência, embora não seja cientista, e costumava contar-me muito do que ia aprendendo, provavelmente deve ter tido alguma influência nas minhas escolhas e gostos.

 

Que tipo de interferência exerce/exerceu na educação científica dos seus filhos?

Normalmente tento interferir o menos possível na educação formal escolar das minhas filhas, para mim é uma questão de princípio, acho que isto estimula a sua autonomia e autoconfiança. Claro que quando elas vêm ter comigo com alguma dúvida eu esclareço, sempre que consigo, embora seja relativamente raro. Tento também não exercer pressão sobre as suas escolhas académicas (elas não têm a mesma opinião), embora naturalmente lhes dê os meus conselhos. Fora do ensino formal temos grandes discussões sobre temas científicos, às vezes vamos a museus ou exposições sobre ciência, assim acabo seguramente por ser uma influência. Costumamos ver séries ou filmes de televisão juntos à noite, vimos juntos todas as séries do Big Bang Theory. Por outro lado elas costumam assistir às primeiras versões dos episódios do Isto é Matemática e das minhas palestras, elas são as minhas primeiras críticas. De facto há ciência em casa, como não poderia deixar de ser.

 

Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

Creio que está no bom caminho, houve uma evolução tremenda desde o meu tempo de estudante. Creio que hoje as pessoas têm um interesse mais genuíno pelo conhecimento científico, no ambiente escolar formal estão mais interessadas no conhecimento por si e não para obter uma nota e há uma maior procura de conhecimento em ambiente não formais. Provavelmente também consequência de um sentimento de que o mundo actual é mais competitivo e que o saber cientifico acaba por ser uma vantagem competitiva.

 

Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Essa é uma pergunta difícil de responder. A ciência, ao contrário de outras áreas, é quase por definição uma actividade global. Muitas vezes ouço pessoas, por exemplo actores, falarem sobre a possibilidade de tentarem ou não uma carreira internacional, na ciência esta é uma questão que não faz sentido, ou se faz ciência a nível internacional ou muito provavelmente não se está a fazer ciência. Como consequência a contribuição de cada pais em cada área cientifica é muito difícil de medir. Tipicamente um artigo cientifico é assinado por pessoas de vários países, mesmo que não seja, é apoiado em cima do trabalho de outro grupos de investigação internacionais.

 

Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

Estimulando o seu espírito crítico e incentivando de forma constante uma postura céptica. Isto não só contribui para que a criança possa vir a ser um bom cientista como a torna mais forte na sua vida pessoal e profissional Por outro lado devemos estimular a curiosidade, ou melhor, não devemos destruí-la, de facto as crianças são naturalmente cientistas. Não nos devemos esquecer de transmitir também que a ciência é sobre ideias e não sobre formalidades, claro que uma boa formalização é necessária para a boa ciência, ainda assim a formalização é um meio e não deve ser vista como um fim.   

 

 Mais sobre o cientista:

Rogério Martins apresenta na SIC Notícias o programa “Isto é Matemática” onde, através de uma linguagem acessível e direta, ilustra exemplos práticos que ligam a Matemática ao quotidiano. Pode seguir o programa aqui. O Professor é igualmente diretor da revista "Gazeta da Matemática", publicada pela Sociedade Portuguesa de Matemática.

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