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FERNANDO NOBRE

21.05.16

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Fernando Nobre, médico, Presidente da AMI

 Na sua infância, quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Os meus primeiros contactos com a Ciência aconteceram quando entrei com dez anos no primeiro ano do Liceu Salvador Correia de Sá e Benevides em Luanda com as aulas de Biologia.


A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Não houve nenhuma influência familiar já que historicamente a minha família sempre foi mais virada para a Economia e as Letras.


Que tipo de interferência exerceu na educação científica dos seus filhos?

Penso que pouco ou nenhuma. Dos meus 4 filhos (um rapaz e três meninas) só o mais velho seguiu ciências sendo médico como eu. As três filhas são formadas em: Antropologia, Ciências Políticas/Relações Internacionais e História das Artes.


Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

Não tendo estudado, nem vivido, no nosso País (ultramar ou continente) dos 12 aos 34 anos só me posso pronunciar quanto aos estudos dos meus filhos (36, 34, 23 e 20 anos): entendo que o grau de exigência, rigor e estímulo são baixos porque se o nível teórico é satisfatório (embora não entenda que não se ensine os cálculo diferencial e integral até ao 12°ano, o que eu estudei na Bélgica!) o ensino prático e laboratorial é manifestamente insuficiente!


Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Acho que Portugal tem todos os requisitos para atingir o máximo nível em todas as áreas científicas com particular ênfase para todas ciências ligadas ao mar. Para tal será indispensável visão, estratégia, exigência, rigor, estímulos e grandes incentivos e investimentos que estimulem a investigação científica dos nossos alunos, licenciados e doutorados. Enfim que a Ciência, em todos os seus ramos, seja vista e declarada como uma verdadeira Causa Nacional.Enfim que a Ciência, em todos os seus ramos, seja vista e declarada como uma verdadeira Causa Nacional para que possamos competir com os melhores no século XXI. A produção científica nacional em geral, exceptuando pois alguns nichos de grande nível internacional, ainda é escassa e não acede as grandes revistas científicas mundiais.
A classificação das nossas universidades tem de estar a breve trecho no top 100. Não é o caso. O mar e o fundo marinho abrem-nos perspectivas científicas e económicas excepcionais já tendo em conta a Zona Económica Exclusiva que possuímos e ainda mais com a próxima Extensão da nossa Plataforma Continental. O todo fará cerca de 4 milhões de km2!


Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

Bons e empenhados professores e bons laboratórios nas escolas, palestras nas escolas com bons cientistas investigadores, visitas assíduas a bons laboratórios e contactos com cientistas, disponibilidade de boas revistas científicas nas bibliotecas escolares, visitas ao nosso mar explicando as suas enormes potencialidades.... Enfim: despertando interesses e paixões pela Ciência!

 

Sobre o cientista:

Fernando de la Vieter Nobre Médico é  especialista em Cirurgia Geral e em Urologia.

Foi contemplado com o Primeiro Prémio da Associação Europeia de Urologia/Copenhaga 1984.

É Doutor Honoris Causa/ FMUL Novembro 2001.

Foi Assistente dos Hospitais Universitários e da Faculdade de Medicina (Anatomia e Embriologia Humanas) da Universidade Livre de Bruxelas.

É  Professor Regente convidado de "Medicina Humanitária" da FMUL.

Antigo Administrador dos Médicos Sem Fronteiras-MSF/Bélgica.

É Fundador e Presidente da Fundação de Assistência Médica Internacional/AMI.

 

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DAVID SOBRAL

29.06.15

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 David Sobral, astrofísico

 

Na sua infância, quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Imagino que na prática o primeiro contacto com a Ciência foi feito ainda antes de nascer. A minha mãe é Bióloga, e autora de manuais de Biologia. Um desses manuais foi feito ainda antes de nascer, e muitos mais ao longo dos anos. O facto de ser exposto à Ciência foi obviamente muito importante.

 Para além disso, creio que tive sempre um contacto mais ou menos directo com a Ciência: não só a um nível material, como por exemplo interagir directamente com computadores ainda antes de saber ler ou escrever (e tentar fazer alguns programas simples, ao editar programas já feitos - uma espécie de reverse engineering e que é exactamente o que é preciso para se fazer ciência), mas também com a maneira de pensar crítica e não formatada. Devo isso sobretudo ao papel do meu pai, que não sendo cientista ou não fazendo ciência pensava mais como cientista e engenheiro do que muitos que se formaram nessas áreas.

 

A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?


Creio que é impossível não se ser condicionado pela família. Mas, ao mesmo tempo, foi uma escolha absolutamente genuína e que acabou por ser natural. Não creio que tenha sido simples nem óbvia durante muito tempo, sobretudo porque sempre gostei de todas as áreas. Sempre adorei escrever, mas também bastante de desporto, e ao mesmo tempo de Ciência. E, claro (e infelizmente!), senti imensa pressão para seguir Medicina, simplesmente por ter boas notas. Acho que isso é um dos grandes problemas em Portugal: o facto de se incentivar todos os alunos muito bons, ou as pessoas mais motivadas/criativas a seguirem um número altamente restrito de cursos, que muitas vezes os “matam” completamente. Isto é, incentivar as pessoas a seguirem cursos por uma lógica de “prestígio” e “emprego futuro”, faz um mal imenso ao país. Quando comecei a pensar seriamente em seguir Física, tendo uma média de 20 no Secundário, lembro-me dos comentários de alguns professores (felizmente muito poucos!) sobre essa escolha me levar, de certeza, a trabalhar como empregado de mesa, porque a Física não tinha qualquer futuro (e isso é completamente falso a nível internacional/global!). Creio que é mais do que óbvio que devíamos promover o contrário: só seremos mesmo muito bons estando motivados e tendo liberdade de escolher áreas e profissões que nos possam potenciar verdadeiramente. Só assim a sociedade pode funcionar e verdadeiramente seguir uma rota de “desenvolvimento”. Os caminhos “óbvios” e pré-formatados não levam a lugar nenhum.

Que tipo de interferência exerce/exerceu na educação científica dos seus filhos?

Não tenho filhos, mas quando os tiver farei de tudo para os ajudar a serem criativos, pensarem por si e, sobretudo, serem capazes de (querer) compreender as coisas. Muito mais importante do que “saber” ou do que o “conhecimento” é saber procurar respostas e querer compreender as coisas (e sermos capazes de questionar).

Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?


Na minha experiência do ensino Secundário, o ensino das ciências foi bastante bom. Sei que se degradou bastante, com o fim de disciplinas laboratoriais, mas, ainda assim, o ensino na escola pública continua a ser absolutamente excelente, sobretudo para o baixíssimo custo para a sociedade. É óbvio que muito falta fazer, sobretudo para garantir que não matamos a curiosidade, diversidade e criatividade das novas gerações, e que os ensinamos a pensar. No entanto, creio que isso demorará imenso tempo: Portugal viveu demasiados anos sob uma lógica de puro autoritarismo, e viveu durante ainda mais tempo sob uma lógica dogmática. O país está, por isso, habituado a pensar sempre da mesma maneira, a não correr riscos, e a promover uma lógica de que só se pode fazer algo de uma maneira muito específica (mesmo quando todos se apercebem do quão ineficazes esses procedimentos são!). A incapacidade de nos apercebermos dos problemas à nossa volta, ou pelo menos a inércia que demonstramos face a eles, é absolutamente incompreensível.
Creio que o ensino superior está muitíssimo pior, e tem piorado ainda mais. Há excepções boas, claro (sobretudo das Universidades mais recentes, que tiveram decisões estratégicas muito boas), mas a realidade é que as Universidades portuguesas estão dezenas de anos atrás do resto do Mundo. A investigação e inovação é quase residual (a que existe não ocorre na Universidade em si, mas em centros de investigação, que precisam de estar “desligados” da Universidade para não terem os seus recursos literalmente “sugados”), os alunos são completamente destruídos, e a lógica é a de um ensino passivo, literalmente do século passado. Simplesmente não se incentiva a excelência nem a qualidade, e ninguém se preocupa com, por exemplo, termos uma diversidade quase zero no nosso ensino superior, não só nos professores, mas sobretudo nos alunos. Quase não há mestrados em ciências dados completamente em inglês por exemplo.

 Mais do que tudo isso, é mais do que claro que não há nenhuma estratégia. Em Portugal, o que conta é parecer e poucos de preocupam em verdadeiramente ser e fazer. E sobretudo falta olharmos para os problemas e sermos sinceros: Portugal tem um potencial imenso, gigante mesmo, mas a realidade é que somos ainda mesmo muito fracos. Só admitindo isso é que podemos concretizar o nosso potencial. Temos que fazer muito, muito mais!

 

Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?


Há uma coisa que é bastante óbvia: Portugal, enquanto país pequeno, e relativamente “isolado”, e sobretudo enquanto país sem grande tradição em Ciência e em conceber novas ideias e projectos, não pode ter um grande desenvolvimento em demasiadas áreas. Há a tendência de nos querermos juntar a tudo e mais alguma coisa e em fazer e trabalhar em todas as áreas possíveis e imaginárias. Isso é a receita para o desastre. Claro que não se pode limitar a liberdade de se fazer Ciência, e é também preciso perceber que as coisas mudam muito rapidamente, e portanto mais do que identificar áreas muito rígidas, é preciso é haver liberdade para mudar ligeiramente a estratégia e as apostas, se necessário. Finalmente, creio que as áreas em que Portugal pode ter uma maior contribuição não dependem nem de Portugal, nem de uma possível “estratégia” concebida por pessoas desligadas da Ciência. As áreas de maior impacto serão sempre aquelas que interessam às melhores pessoas, às mais trabalhadoras e criativas, e às capazes de desafiar os limites actuais. Importante mesmo é apostarmos nos melhores, independentemente da área.

Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

 Existem imensas formas. Creio que uma das maneiras passa por não lhes ensinar receitas ou instruções, mas sim fazê-los pensar e compreender. Brincadeiras que mudem ligeiramente as regras e que promovam a capacidade de criar e de enfrentar problemas ligeiramente diferentes são também muito importantes. Depois, claro, creio que o próprio desporto, individual e colectivo, é também muito importante.

 

Para saber mais sobre o cientista veja aqui

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CLARA PINTO CORREIA.jpgClara Pinto Correia, bióloga

 

Na sua infância, quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Foi viver em Africa, sem sombra de dúvida. Todo aquele mundo fabuloso à minha volta. A maneira como as osgas enormes se colavam às paredes e engoliam as moscas. As nossas visitas às grandes reservas, como a Quissama e a Cela – leões, elefantes, gnus, pacacas, impalas… Comecei a sonhar ser Park Ranger aos seis anos. Depois, no National Geographic que os meus pais assinavam, comecei a ver as fotografias da Jane Goodall com os chimpanzés. Era mesmo a vida que eu queria ter. Quando fui para Biologia ainda sonhava com isto.

 

 2- A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Bem, se não fosse o National Geographic deles eu nunca teria descoberto a Jane Goodall aos seis anos. Foi a minha Mãe que me explicou que as pessoas que faziam aquelas coisas eram os biólogos. E sempre apoiou a minha decisão de ir para Biologia. O meu Pai foi mais ter a certeza de que eu não deixava o curso a meio, incentivar-me a fazer o doutoramento mesmo que isso implicasse ter que sair de Portugal… e mais tarde, ja a título póstumo, dar-me forca e coragem para enfrentar as provas de agregação.

 

3- Que tipo de interferência exerce/exerceu na educação científica dos seus filhos?

Bem, há poucos parques naturais onde não os tenha levado, poucos anos em que não os tenha mandado para os grupos de trabalho no Jardim Zoológico, poucos animais descobertos nos nossos passeios em que eu não tenha agarrado com as mãos para eles perderem o medo e verem a criatura de perto… para não falar de toda a bicharada que tivemos em casa, incluindo cobras e iguanas (claro que só eu é que não tinha medo de limpar os terrários, mas enfim). Por acaso chegaram a ser bons naturalistas. Uma vez apanharam uma daquelas cobrinhas com pernas, que são muito dificeis de encontrar.

 

 4- Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

É mau. E a culpa não é dos professores.

 

 5- Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Infelizmente, mais na área das biotecnologias ou outras biologias aplicadas, e menos na ciência básica, que é o sector que realmente nos traz o crescimento de conhecimentos que empurra o mundo para a frente.

 

6- Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

 É preciso enche-las de curiosidade, expo-las a vários tipos de ambientes, contar-lhes histórias verdadeiras com muito entusiasmo, e surpreende-las com perguntas daquelas que fazem mesmo pensar. Uma vez estava a fazer os trabalhos de casa com o meu filho de nove anos e veio a propósito a questão da bolinha que explodiu e saiu o mundo lá de dentro. Olha lá, filho, vê se consegues responder: Deus estava do lado de fora e fez explodir a bolinha, ou estava do lado de dentro e saiu juntamente com o resto do mundo? Ai, Mãe! Não me faças perguntas dessas que me metes medo!

 

Para saber mais sobre a cientista:

Escritora e investigadora científica portuguesa, natural de Lisboa. Licenciou-se em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e obteve o doutoramento em Biologia Celular no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, tendo posteriormente feito um pós-doutoramento em clonagem de mamíferos na Universidade de Massachusetts. Foi assistente estagiária de Biologia Celular e de Histologia e Embriologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

 

Trabalhou como jornalista e também como investigadora em Biologia Celular na Fundação Gulbenkian. Prosseguiu a carreira académica nos Estados Unidos (em Buffalo e Amherst), onde executou o projecto do seu doutoramento em Biologia Celular (1992) pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, e onde colaborou com o paleontólogo Stephen Jay Gould, da Universidade de Harvard, especializando-se em História das Ciências entre 1994 e 1996, e celebrando um contrato para a redacção de um livro sobre História das Teorias da Reprodução.

 

Foi docente de História da Ciência e directora do curso de pós-graduação em Biologia do Desenvolvimento na Universidade Lusófona e coordenadora de pós-graduações e mestrados da mesma universidade. É ainda professora convidada do Instituto Superior de Agronomia e, desde 1996, professora auxiliar no Department of Veterinary and Animal Sciences da Universidade de Massachusetts (EUA).

 

Colaborou com crónicas em publicações periódicas e em programas de divulgação científica na rádio e na televisão e teve colaboração científica dispersa por várias publicações científicas nacionais e estrangeiras, dedicando-se igualmente à realização de conferências em congressos e universidades.

 

Entre as suas obras de divulgação científica, contam-se Os Bebés-Proveta (1986), Histórias Naturais (1988), Portugal Animal (1991), Clonai e Multiplicai-vos (1997), The Ovary of Eve/O Ovário de Eva (1997), Clones Humanos - A Nossa Autobiografia Colectiva (1999), O Mistério dos Mistérios(1999), Dodologia - Um Voo Planado Sobre a Modernidade(2001), Deus ao Microscópio (2002), Portugal Animal (2002) e Os Monstros de Deus - A Humanidade e as Suas Lendas: Do Espermatozóide ao Verme (2003). Tem também uma vasta obra de ficção e ensaio, iniciada com Agrião (1984), e que prosseguiu com Um Esquema (1985), E se Tivesse a Bondade de Me Dizer Porquê? (1986), Adeus, Princesa(1987), Um Sinal dos Tempos (1988), Ponto Pé de Flor(1990), Domingo de Ramos (1994), A Música das Esferas(1995), Mais Marés que Marinheiros (1996), A Pega Azul(1996), Mais Que Perfeito (1997), Os Mensageiros Secundários (1999), Morfina (2000), Os Mensageiros Secundários (2000), As Festas Secretas Pela Mão de Maia(2001), A Arma dos Juízes (2002), Assim na Terra Como no Céu (2003), Trinta Anos de Democracia e Depois, Pronto(2004) e No Meio do Nosso Caminho (2005).

 

Clara Pinto Correia é também autora de obras de literatura infanto-juvenil, entre as quais O Sapo Francisquinho (1986),Vitória, Vitória (1991), Quem Tem Medo Compra um Cão(1991), A Canção dos Dinossauros (1992), A Minha Alma Está Parva (1992), A Mulher Gorda (1992) e A Ilha dos Pássaros Doidos (1994). Entre as suas obras de poesia, contam-se Canções das Crianças Mortas (1989) e No Pó da Bagagem (1993). É também autora dos livros de crónicasCampos de Morangos Para Sempre (1987), The Big Easy(1995) e O Melhor dos Meus Erros (2003).

 

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ROGÉRIO MARTINS

18.04.15

ROGERIO MARTINS.jpg                                         Rogério Martins, matemático                                                       

 

Na sua infância, quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Não me recordo muito bem, só decidi seguir uma carreira de cientista depois de entrar na faculdade. Muito provavelmente os primeiros contactos foram mesmo os contactos normais na escola, ainda assim, recordo-me de durante a adolescência ler bastantes livros de divulgação cientifica. Recordo-me de ler o Carl Sagan ou Hubert Reeves. Na altura uma das disciplinas que mais me seduzia era a filosofia, embora nunca tenha considerado a possibilidade de fazer um curso nesta área.

 

A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Directamente não. De qualquer forma a nossa família acaba por ser inevitavelmente a fonte de uma grande parte das nossas influências, os meus pais sempre estimularam muito e incentivavam a minha procura de conhecimento e o meu  espírito crítico, o que se pensarmos bem é a postura típica de um cientista. O meu irmão mais velho sempre se interessou muito por ciência, embora não seja cientista, e costumava contar-me muito do que ia aprendendo, provavelmente deve ter tido alguma influência nas minhas escolhas e gostos.

 

Que tipo de interferência exerce/exerceu na educação científica dos seus filhos?

Normalmente tento interferir o menos possível na educação formal escolar das minhas filhas, para mim é uma questão de princípio, acho que isto estimula a sua autonomia e autoconfiança. Claro que quando elas vêm ter comigo com alguma dúvida eu esclareço, sempre que consigo, embora seja relativamente raro. Tento também não exercer pressão sobre as suas escolhas académicas (elas não têm a mesma opinião), embora naturalmente lhes dê os meus conselhos. Fora do ensino formal temos grandes discussões sobre temas científicos, às vezes vamos a museus ou exposições sobre ciência, assim acabo seguramente por ser uma influência. Costumamos ver séries ou filmes de televisão juntos à noite, vimos juntos todas as séries do Big Bang Theory. Por outro lado elas costumam assistir às primeiras versões dos episódios do Isto é Matemática e das minhas palestras, elas são as minhas primeiras críticas. De facto há ciência em casa, como não poderia deixar de ser.

 

Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

Creio que está no bom caminho, houve uma evolução tremenda desde o meu tempo de estudante. Creio que hoje as pessoas têm um interesse mais genuíno pelo conhecimento científico, no ambiente escolar formal estão mais interessadas no conhecimento por si e não para obter uma nota e há uma maior procura de conhecimento em ambiente não formais. Provavelmente também consequência de um sentimento de que o mundo actual é mais competitivo e que o saber cientifico acaba por ser uma vantagem competitiva.

 

Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Essa é uma pergunta difícil de responder. A ciência, ao contrário de outras áreas, é quase por definição uma actividade global. Muitas vezes ouço pessoas, por exemplo actores, falarem sobre a possibilidade de tentarem ou não uma carreira internacional, na ciência esta é uma questão que não faz sentido, ou se faz ciência a nível internacional ou muito provavelmente não se está a fazer ciência. Como consequência a contribuição de cada pais em cada área cientifica é muito difícil de medir. Tipicamente um artigo cientifico é assinado por pessoas de vários países, mesmo que não seja, é apoiado em cima do trabalho de outro grupos de investigação internacionais.

 

Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

Estimulando o seu espírito crítico e incentivando de forma constante uma postura céptica. Isto não só contribui para que a criança possa vir a ser um bom cientista como a torna mais forte na sua vida pessoal e profissional Por outro lado devemos estimular a curiosidade, ou melhor, não devemos destruí-la, de facto as crianças são naturalmente cientistas. Não nos devemos esquecer de transmitir também que a ciência é sobre ideias e não sobre formalidades, claro que uma boa formalização é necessária para a boa ciência, ainda assim a formalização é um meio e não deve ser vista como um fim.   

 

 Mais sobre o cientista:

Rogério Martins apresenta na SIC Notícias o programa “Isto é Matemática” onde, através de uma linguagem acessível e direta, ilustra exemplos práticos que ligam a Matemática ao quotidiano. Pode seguir o programa aqui. O Professor é igualmente diretor da revista "Gazeta da Matemática", publicada pela Sociedade Portuguesa de Matemática.

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MARIA MOTA

29.03.15

 

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Maria Manuel Mota, bióloga

 

Na sua infância, quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

O primeiro que me lembro muito bem, pois fiquei fascinada, foi ver células da cebola e células do nosso sangue num microscópio, penso que durante o ciclo preparatório (ou seja 5º ou 6º anos).

 

A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Penso que não. Não havia qualquer formação científica na família.

 

Que tipo de interferência exerce/exerceu na educação científica dos seus filhos?

Eu gosto muito de explicar às minhas filhas o que faço e porque o faço e elas próprias fazem muitas perguntas que tento sempre responder de forma simples e compreensível.  Ambos os pais são cientistas pelo que têm uma grande exposição. Tentamos sempre espevitar a curiosidade delas bem como a forma de resolver os problemas que vão surgindo de forma lógica.

 

Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

Penso que deveria haver muito mais ciência já no primeiro ciclo ( e mesmo no pré-escolar) com uma componente muito prática de experimentação. Nesta idade as crianças são verdadeiras esponjas que absorvem tudo que as rodeia. O ensino informal fez progressos enormes com o trabalho da “Ciência viva” e  outras organizações.

 

Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Na áreas básicas da biologia, física e química bem como na engenharia penso que já temos alguma competitividade mas temos que ter a noção que há muito caminho a percorrer.

 

Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

Despertando-lhe a curiosidade pela  observação e desenvolvendo a racionalidade de forma a colmatar essa mesma curiosidade.

 

Mais sobre a cientista: 

 

Cientista portuguesa nascida em 1971, na Madalena, no concelho de Vila Nova de Gaia. Desde cedo demonstrou vocação para biologia, área em que se licenciou na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, tendo feito depois o mestrado em imunologia.

 

Interessou-se por parasitologia, principalmente pela patologia da malária. Concluiu a sua tese de doutoramento na University College de Londres (1998) e fez o pós-doutoramento na New York University Medical Center (2001),onde também lecionou.

 

 

Desenvolve estudos sobre a malária no Instituto Gulbenkian de Ciência, tendo elaborado um artigo sobre o assunto para a revista Science enquanto vivia nos Estados Unidos da América.

 

Em 2004, ficou entre os 25 jovens cientistas galardoados com European Young Investigator Award de mais de 1 milhão de Euros, que lhe permite continuar a sua investigação sobre o parasita da malária, durante cinco anos, no Instituto Molecular da Faculdade de Medicina deLisboa.

 

 O carácter pioneiro dos estudos que desenvolveu nesta área levaram a que fosse laureada com o Prémio Pessoa 2013.

 

 

 

 

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 JOÃO MAGUEIJO

16.03.15

joao_magueijo.jpgJoão Magueijo, físico 

 

Na sua infância, quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Primeiro foi a química, aí pelos 8 anos: tinha a mania de fazer experiências e havia uma drogaria em Évora que me vendia tudo, um escândalo! A física veio mais tarde, quando o meu pai me ofereceu “A evolução da física” de Einstein e Infeld.

 

 A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Claro. Muito embora o meu pai seja de clássicas, teve sempre muito interesse pela ciência, e foi por aí que os meus primeiros contactos foram feitos.

 

 Que tipo de interferência exerce/exerceu na educação científica dos seus filhos?

Não tenho filhos.

 

Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

Saí de Portugal há muito tempo, portanto isto reflete outra era, talvez. Mas o ensino formal só me empecilhou. Fui aprendendo por mim.

 

Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Não faço ideia.

 

Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

Isso não sei, mas sei como se pode evitar destrui-las: evitar que a educação formal destrua a curiosidade natural.   

 

Mais sobre o cientista:

 

João Magueijo nasceu em Évora no ano de 1967.

 

Fascinado pelos mistérios da física, cedo descobriu a sua veia científica e leu Einstein pela primeira vez aos 11 anos.

 

Estudou física na Universidade de Lisboa e completou o curso em Cambridge, onde prosseguiu os seus estudos.

 

Evidenciou-se de tal forma pela sua inteligência e energia na investigação científica que foi integrado numa parceria de pesquisa com outros cientistas que igualmente se destacaram, no Saint John’s College de Cambridge.

 

Posteriormente, foi membro das faculdades de Princeton e de Cambridge, estando actualmente a leccionar física teórica no Imperial College de Londres. As suas aulas incidem particularmente sobre a Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein.

 

Cosmologista e professor de física teórica em Inglaterra, João Magueijo tem desenvolvido investigações acerca da origem e evolução do universo, estudando os aspectos mais complexos e que ainda se encontram por explicar no âmbito da teoria do Big Bang.

 

Recentemente, notabilizou-se como autor da teoria VSL (Variable Speed of Light), que procura explicar um dos grandes mistérios da cosmologia moderna (o problema do horizonte) com base no postulado de que a velocidade da luz nem sempre terá sido constante.

 

Enfrentou uma forte oposição por parte da comunidade científica, que o acusou de anarquia e heresia, simplesmente por colocar em causa os pilares da relatividade e de grande parte dos conhecimentos físicos actuais.

 

Escreveu vários livros, nomeadamente Mais rápido do que a luz (2003) e Bifes mal passados (2014)

 

Para saber mais sobre o cientista veja aqui

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 Professor Carlos Fiolhais, físico

 

Na sua infância quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

 

A verdade é que não me lembro bem, já foi há tantos anos... Talvez uma colecção de cromos de História Natural.  Ou, sei lá, olhar para o céu, à procura da Estrela Polar. Haveria de me virar para a Física, que descobri mais tarde, na adolescência, através de livros e de experiências escolares ou caseiras.

 

A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

 

Não sei, talvez.  Os meus pais não tinham garnde instrução. Mas o meu Pai sempre achou que as ciências eram mais úteis do que as letras. De qualquer modo, escolhi o que quis. Quando lhes disse que ia estudar Física na Universidade,  terão achado um pouco estranho...

 

Que tipo de interferência exerce/exerceu na educação científica dos seus filhos?

 

O meu filho está a acabar a licenciatuar em Engenharia Electrotécnica no Técnico. Sempre gostou de computadores. Acho que alimentei um pouco isso pois nunca deixei de lhe comprar os jogos  de que gostava. E revistas sobre temas de informática.

 

Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

 

O ensino formal das ciências está melhor, mas ainda longe do que devíamos aspirar. O que falta fazer, na minha opinião, é meter mais ciência – e ciência com actividades práticas – no jardim escola e no 1.º ciclo do básico. Quanto ao ensino informal, ou divulgação da ciência, deram-se passos enormes com o “Ciência Viva” , mas demora muito tempo a ultrapassar limitações que vêm de trás e atingem muita gente.

 

 Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

 

Nalgumas  áreas das ciências básicas – matemática, física, química e biologia – somos bastante competitivos. Mas  temos de procurar fazer mais e melhor.

 

Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

 

Com as “mãos na massa”:  mexendo, observando  e raciocinando. Pode parecer uma brincadeira, mas a ciência a sério pode começar a brincar.

 

Obrigada por nos ter deixado a sua experiência Professor! Cá por casa ADORAMOS o seu trabalho, principalmente o que tem desenvolvido no âmbito da divulgação da ciência entre os mais novos

 

 

Mais sobre o cientista:

 Carlos Fiolhais nasceu em Lisboa em 1956.

 

 Licenciou-se em Física na Universidade de Coimbra em 1978 e doutorou-se em Física Teórica em Frankfurt/Main, Alemanha, em 1982.

 

É Professor Catedrático no Departamento de Física da Universidade de Coimbra desde 2000.

 

 Foi professor nos Estados Unidos e no Brasil.

 

É autor de 140 artigos científicos em revistas internacionais (um dos quais com mais de 10000 citações, o artigo mais citado com um autor numa instituição nacional) e de mais de 450 artigos pedagógicos e de divulgação. Publicou 42 livros, entre os quais os best sellers "Física Divertida""Nova Física Divertida""Breve História da Ciência em Portugal", e os mais recentes "Darwin aos Tiros e outras Histórias de Ciência" e "Pipocas com Telemóvel e outras Histórias de Falsa Ciência" (os dois últimos com David Marçal), na Gradiva“Ciência em Portugal”, ensaio na Fundação Francisco Manuel dos Santos; série de livros de ciência infantil "Ciência a Brincar", na Bizâncio (em co-autoria); numerosos manuais escolares na Texto Editores (em co-autoria); manual universitário "Fundamentos de Termodinâmica do Equilíbrio", na Gulbenkian (em co-autoria); etc. Os dois primeiros tiveram edições internacionais na Espanha, Itália e Brasil, assim como alguns livros da série "Ciência a Brincar". Foi ainda autor de 18 capítulos de livros e de 24 prefácios, editor de 5 livros científicos em edição internacional e tradutor de 8.

 

Os seus interesses científicos centram-se na Física Computacional da Matéria Condensada e na História das Ciências. Foi fundador e director do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra, onde procedeu à instalação do maior computador português para cálculo científico.

 

Tem coordenado vários projectos de investigação e supervisionado vários estudantes de mestrado e doutoramento. Participou em numerosas conferências e colóquios promovendo a ciência e a cultura científica. Criou e dirige o"Rómulo - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra".

 

Dirigiu a revista "Gazeta de Física" da Sociedade Portuguesa de Física e é membro de comissões das revistas de Física internacionais (presidiu em 2011 ao Conselho Científico do"European Physics Journal"). Foi Director do Centro de Informática da Universidade de Coimbra - CIUC, Presidente do Conselho de Investigação do Instituto Interdisciplinar da Universidade de Coimbra - III, membro do Conselho Científico da Fundação para a Ciência e Tecnologia - FCT e é membro dos corpos gerentes do Forum Internacional dos Investigadores Portugueses - FIIP. É colaborador regular dos jornais "Público""Sol"“As Artes entre as Letras” e "Jornal de Letras". Foi consultor dos programas "Megaciência""ABCiência" para a SIC e RTP e do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra. Foi Director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (que tem a marca de "Património Europeu"), onde concretizou vários projectos relativos ao livro e à cultura, e do Serviço Integrado de Bibliotecas da Universidade de Coimbra - SIBUC, onde criou os repositórios digitais "Estudo Geral" e "Almamater".

 

É co-fundador da empresa "Coimbra Genomics".

 

É corresponsável pelo blogue "De Rerum Natura".

 

Ganhou vários prémios e distinções: em 1994 o Prémio União Latina de tradução científica, em 2005 o Globo de Ouro de Mérito e Excelência em Ciência atribuído pela SIC; em 2005 a Ordem do Infante D. Henrique; e em 2006 os Prémios Inovação do Forum III Milénio e Rómulo de Carvalho da Universidade de Évora; e em 2012 o prémio BBVA para o melhor artigo pedagógico na área da Física no espaço ibero-americano.

 

É o responsável pelos programas de "Educação" e de" Ciência e Inovação" da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

 

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 Professor Galopim de Carvalho

 

 

 

 Na sua infância quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Na infância, não, mas na primeira adolescência: ajudar os irmãos mais velhos a fazer um herbário.

 

 A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Não. Foi um professor no Liceu de Évora, no antigo 5º ano (actual 9º).

 

Que tipo de interferência exerceu na educação científica dos seus filhos?

Toda. Os únicos dois que tive cursaram, por vontade própria, Geologia.

 

Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

No formal, com muita preocupação.Se a actividade do Ciência Viva http://www.cienciaviva.pt/home/ e de alguns Museus couber no ensino não formal, estamos entre a vanguarda no que se faz por esse mundo.

 

Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Não tenho resposta para esta pergunta. Sei, no entanto, que é urgente aumentar o nível do nosso ensino, em especial o básico.

 

Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

Ensiná-las a gostar de saber.

 

Obrigada, Professor Galopim! Cá em casa gostamos muito do seu trabalho! É já uma referência para os pequenotes

 

Mais sobre o cientista:

O  Professor Galopim de Carvalho é um dos nomes grandes da divulgação da ciência em Portugal.

Foi responsável pela promoção das Ciências da Terra entre nós, através de uma uma ação incansável, ao longo de décadas, que passou pelas suas aulas e pela sua investigação na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, pelos seus livros , pelas suas palestras de divulgação por todo o país e no mundo, pelo seu diligente trabalho à frente do Museu Nacional de História Natural (onde esteve durante mais de dez anos) e noutros locais (ainda há pouco abriu em Viseu o Museu do Quartzo, em larga medida da sua inspiração), e pelas suas sábias intervenções na imprensa escrita, na Internet, na rádio e na televisão.

Ficou sobretudo famoso pela organização da exposição sobre dinossauros-robôs que, em 1992, levou à Rua Politécnica mais de três centenas e meia de milhares  visitantes e pela sua defesa das pegadas dos dinossauros de Carenque, às portas de Lisboa.


Ganhou inúmeros prémios sendo um dos mais recentes o Grande Prémio Ciência Viva Montepio 2013 que distingue uma intervenção de mérito na divulgação científica e tecnológica em Portugal

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ELVIRA FORTUNATO

22.04.14

 

Elvira Fortunato, Investigadora na área da Engenharia dos Materiais

Na sua infância quais foram os primeiros contactos que teve com a Ciência?

Nas aulas de Biologia, do antigo 5º ano (agora 9º ano), a observar as células da cebola, num microscópio óptico.

 

A influência familiar condicionou, de alguma forma, o seu gosto pela Ciência e/ou as suas escolhas profissionais?

Não de forma directa. O ver, a curiosidade e o prazer de realizar foram a minha adrenalina para o gosto pela Ciência.

 

Que tipo de interferência exerceu na educação científica dos seus filhos?

Tenho uma filha com 16 anos e acho que é impossível não a influenciar pois ela vive e partilha muitas das experiências dos pais na área da investigação científica, é tarefa impossível não falar de ciência em casa.

 

Como vê o ensino (formal e não formal) das ciências em Portugal?

O ensino, e em especial na área das ciências devia ser mais experimental, noto que devia haver mais experimentação, logo no 1º ciclo. É essencial que as crianças mexam, toquem e vejam as coisas. Desta forma a aprendizagem é quase intuitiva. Na área das ciências isto é fundamental. Costumo dar um exemplo, mesmo que não esteja relacionado com a experimentação propriamente dita mas que tem a ver com a matemática. Penso que todos ganharíamos muito se a matemática fosse acompanhada de perto por problemas concretos e não fosse ensinada de uma forma tão abstracta.

 

Em que áreas científicas prevê que Portugal possa ter um maior desenvolvimento e uma maior contribuição para a melhoria do conhecimento científico mundial?

Na área da nanotecnologia, materiais avançados e biotecnologia. Temos conhecimento e criatividade suficientes para alavancar o desenvolvimento sustentado de Portugal em áreas cruciais, como sejam da sua utilização nas Ciências da Vida, Tecnologias da Informação e Comunicação e na área da Energia, entre outras.

 

Como acha que podem ser estimuladas, nas crianças, as qualidades inerentes a um bom cientista?

Começar logo desde muito pequenino, com um ensino que englobe a realização de experiências práticas didáticas, que por serem por si muito simples e aparentemente óbvias, são o melhor passaporte para não mais serem esquecidas e permitirem um forte enraizamento do conhecimento científico. 

 

Mais sobre a cientista:

Elvira Fortunato é licenciada em Física e Engenharia de Materiais pela Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, pós-graduada em Materiais Semi-Condutores, pela Faculdade de Ciências da Universidade Nova de Lisboa e doutorada em Engenharia de Materiais (Microelectrónicos e Optoelectrónicos) também pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

 

Presentemente é Professora no departamento de Ciência de Materiais da Universidade Nova de Lisboa e diretora do Centro de Investigação em Materiais (CENIMAT).

 

É uma das líderes europeias nos estudos de electrónicos transparentes, co-inventora do conceito de papel electrónico (Paper-e®).

 

Em 2008 recebeu uma Advanced Grant do European Research Council (ERC) com o projeto “Invisible”.

 

Publicou mais de 400 artigos científicos e é editora em várias revistas internacionais.

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